Crise energética no Texas. O que se sabe até agora?

por | mar 1, 2021 | Energia

Tempo de leitura: 3 minutos

Nos últimos dias, o Texas sofreu com as temperaturas mais baixas já registradas nos últimos anos na região.  O frio severo causou a falta de água e gás para milhões de pessoas e uma preocupante crise energética no estado americano.

Apesar da eletricidade estar sendo restaurada gradualmente, as condições permanecem críticas em uma região não acostumada a essas ondas de frio e milhares de pessoas ainda seguem sem acesso a energia. Além disso, aqueles que tiveram a sorte de ter o fornecimento mantido, acabaram se deparando com altos valores na conta de luz.

Mas como um estado considerado líder em geração de energia nos Estados Unidos, encontra-se hoje em uma crise energética como essa? Quais foram os causadores desse colapso ?

Como se iniciou?

A onda de frio chegou no sul dos EUA há duas semanas e, como consequência, o consumo de energia aumentou a níveis recordes, devido à maior utilização de equipamentos de aquecimento pela população.

Por falta de preparo, muitas usinas invés de aumentarem sua geração para suprir a alta demanda, acabaram tendo que ser desligadas. Dando início ao colapso no sistema elétrico.

Segundo o Departamento de Energia dos Estados Unidos, ao todo 4,5 milhões de residências foram afetadas e ficaram sem energia elétrica.

Por que as usinas pararam de funcionar?

O estado do Texas é considerado líder na produção de energia elétrica nos EUA, tendo como suas principais fontes o petróleo e o gás natural. De acordo com a Agência de Informação de Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês), só em 2019 o estado foi responsável por 41% da produção de petróleo bruto do país e por 25% da produção de gás natural.

Em 2020, o gás natural e o carvão eram responsáveis por mais da metade da energia consumida no território texano.

Acontece que as usinas de gás natural e carvão necessitam de água para manter sua geração, e com as baixas temperaturas  as instalações de água congelaram. Além delas, as usinas nucleares e eólicas também tiveram sua geração prejudicada.

O Departamento de Energia do Estados Unidos (DOE , na sigla em inglês) informou que aproximadamente 40% da capacidade de produção de energia teve sua operação interrompida com a nevasca.

Outro fator agravante para o apagão foi a independência do Texas com relação aos outros estados norte-americanos. Com um sistema de fornecimento de energia independente, eles encontram dificuldade em importar energia dos seus estados vizinhos em momentos de crise como esse.

As fontes renováveis foram responsáveis por essa crise?

Devido a crise energética, diversos grupos contrários a fontes renováveis fomentaram dúvidas a respeito da credibilidade das energias limpas.  Porém, alguns fatores provam o contrário.

Durante a nevasca, as energias renováveis não foram as únicas afetadas. Todas as fontes sofreram com as baixas temperaturas, principalmente as derivadas da queima de combustíveis fosseis, que representam mais de dois terços da matriz energética do Texas.

Já as fontes limpas são responsáveis somente por 25% da geração de energia no estado. Ou seja, o desligamento de algumas usinas renováveis teve consequências bem menos significativas para a população, já que a dependência do carvão, petróleo e gás natural ainda é grande no estado.

Segundo o Eletric Reliability Council of Texas (Ercot), empresa que gerencia o sistema elétrico do Texas, somente 13% dos blecautes foram causados por falhas nas usinas de energia limpa.

E quais as lições que ficam?

A busca pela descentralização da geração de energia e aproximação de mais polos de consumo aos polos geradores, colabora com a manutenção de uma base mais diversa e ampla de geração e distribuição por todo um território.

Isto é, o aumento da diversificação da matriz energética em um território como o do Texas, com fontes renováveis em maiores escalas, torna-se uma importante aliada para equilibrar um sistema elétrico, evitando adversidades envolvendo fenômenos climáticos desse porte.

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